Um em cada quatro funcionários das empresas públicas tem mais de 55 anos de idade

Costuma-se dizer que o quadro funcional da Prefeitura de São Paulo está envelhecido e que é preciso renovar seus quadros técnicos. É o que afirmou, por exemplo, o cientista político Fernando Abrucio em entrevista à rádio CBN em janeiro último.  Graças aos dados da Administração Indireta (dados tornados publicamente disponíveis pela Controladoria Geral do Município em parceria com a Secretaria de Finanças), é possível verificar a veracidade desta afirmação nas empresas públicas municipais.

Essa análise é importante, pois subsidia a política de Recursos Humanos dessas empresas, desde decisões sobre contratações – devido a eventual escassez de mão de obra por causa de aposentadorias e falecimentos – até decisões sobre custeio (as gratificações por tempo de serviço podem estar onerando os caixas das empresas).

Os dados demonstram que as cinco maiores empresas públicas municipais têm, somadas, 9.186 funcionários. A média de idade varia dos 42 (SPTuris) aos 46 (PRODAM).

(*) exclui membros dos conselhos administrativo e fiscal
(**)Idade em 31/12/2014
Ao se analisar este quadro a partir de faixas etárias, tem-se que COHAB, PRODAM e SPTRANS têm cerca de um quarto de seu quadro de pessoal com mais de 55 anos de idade:

(*)Para chegar aos números da Tabela 2, foram criados histogramas, os quais podem ser acessados aqui

Evidentemente, não se pretende, com este texto, sugerir que as empresas públicas municipais devem contar exclusivamente com jovens recém-formados em seus quadros. Tal cenário seria impensável e contraproducente, uma vez que muitos dos experimentados funcionários trazem uma valiosa memória da organização e de seus procedimentos, além de serem, muitas vezes, técnicos que se aprimoraram e se atualizaram ao longo dos anos.

No entanto, como exposto acima, esta análise é importante para se observar os custos da mão de obra mais longeva e se planejar a reposição de peças.

Nossa experiência de dois anos na Prefeitura informa que a esmagadora maioria dos funcionários públicos da cidade – na Administração Direta e na Indireta – são pessoas dedicadas e de notável espírito público, que estão dispostos a fazerem bem o seu trabalho.

Esperamos que análises como essas possam reforçar os trabalhos e as iniciativas desses excelentes funcionários públicos, promovendo uma boa gestão dos Recursos Humanos – afinal, a prestação dos serviços públicos, mesmo nesse mundo interconectado, de sistemas e computadores, depende, sobretudo, da boa e velha ação humana.

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