Site espanhol elogia estratégias brasileiras de transparência

O jornalista  José Manuel Blanco, do site espanhol Hojaderouter, viajou o Brasil em busca de experiências de governo aberto.  No texto “ Aprende, España: mira lo que hace Brasil con la transparencia y el gobierno abierto“, ele destacou algumas atividades, entre elas o Café Hacker, realizado pela Controladoria Geral do Município de São Paulo. Confira abaixo uma tradução livre da matéria:

Aprenda, Espanha: veja o que o Brasil tem feito com a transparência e o governo aberto
Maratonas hackers, portais com dados públicos, cidadãos motivados … Graças à Lei de Acesso à Informação, o Brasil é colocado na vanguarda do governo aberto e transparência. Nós viajamos o país apresentando algumas de suas iniciativas

Uma regra para obrigar a todos. Lei de Acesso à Informação do Brasil obriga as administrações a tornarem públicos os dados que os cidadãos lhes pedirem. Assim, o país sul-americano se coloca na vanguarda da Transparência governamental. Além disso, os governos locais e regionais dispõem aos seus cidadãos numerosos dados para que eles mesmos aprimorem a administração destas cidades.

Brasil é, junto com países como Noruega, Filipinas o Reino Unido, membro da Open Government Partnership, uma organização internacional que promove a transparência e a participação social nos governos. O próprio Governo Federal criou o programa ‘Brasil Transparente’ para ajudar municípios e regiões na implementação da Lei de Acesso à Informação.

Uma jornada pela vasta geografia do país nos permite descobrir numerosos exemplos de transparência e de governo aberto. Destaca-se a aparente boa sintonia entre representantes públicos e ativistas ‘hackers’ que, com suas ideias e contribuições, melhoram a gestão do país. Que acha de aderir a esta viagem?

SÃO PAULO: VAMOS TOMAR UM CAFÉ E DISCUTIRMOS ESTES DADOS?

Café Hacker É uma iniciativa da nova equipe que chegou à Prefeitura de São Paulo em 2013. De tempos em tempos, uma secretaria (equivalente às concejalías espanholas) organiza uma sessão grupal na qual coloca à disposição de ‘hackers’ e ativistas dados que estão sob sua custodia, para que os próprios cidadãos aprimorem o acesso às informações que eles mesmos têm direito.

Na última Reunião discutiram a visualização de dados já conhecidos sobre a Copa do Mundo , que será inaugurada na cidade no próximo mês de junho. “A metodologia prevê que as solicitações apresentadas durante o encontro (dúvidas, sugestões de aperfeiçoamento e pedidos de abertura de novos dados) sejam sistematizadas, discutidas internamente e se “devolvam” ao público com as justificativas daquilo que se pode ou não ser incorporado”, explica à HojaDeRouter.com Fernanda Campagnucci, responsável pela ideia de realizar estes encontros na maior cidade da América Latina.

As conversas podem ser realizadas de três formas: sobre as páginas da Prefeitura, em funcionamento ou em desenvolvimento; sobre dados e informações públicas do município ou sobre Ferramentas e experiências. Os resultados já são visíveis, segundo nos conta um dos responsáveis pelo Café Hacker, Fabiano Angélico: foi ampliada a transparência da empresa gestora do sistema de ônibus local (SPTrans) e foi reformado o portal da transparência da cidade.

En la calle, anuncian lugares donde poder conectarse a internet (Foto: cassimano | Flickr)

Nas ruas, anunciam lugares onde se pode conectar-se à internet (Foto: cassimano | Flickr)

BRASILIA: ‘HACKEANDO’ JUNTO COM OS PARLAMENTARES

 

Nós  vamos ao Distrito Federal. O Congresso Nacional do Brasil é um dos edifícios futuristas que Oscar Niemeyer desenhou ao final dos anos 50 para a nova capital do país. Nele se encontram a Câmara dos Deputados e o Senado, onde os representantes federais discutem os projetos legislativos. Neste mesmo complexo, em uma sala repleta de computadores, se situa o Laboratório Hacker, um espaço destinado a criar aplicativos que, de uma forma mais visual, ponham à disposição dos usuários os dados da Câmara.

O Laboratório Hacker é uma iniciativa pessoal que o presidente do Congresso, Henrique Eduardo Alves, promoveu depois de uma maratona ‘hacker’ (uma ‘hackathona’) em Brasilia no ano passado. A intenção é, segundo nos conta seu responsável, Cristiano Faria, criar “um espaço de colaboração para unir três mundos: o parlamentar, o da sociedade e o da burocracia. A pessoas entram, se desprendem de seus títulos e conversam.”

Faria nos apresenta através do Skype o Laboratório Hacker, do qual os usuários decidem até os móveis. “Alguns estão falando até em construir as mesas, cadeiras… Me mandaram algumas coisas por Open Design”, disse. O também coordenador do e-Democracia, um portal no qual o brasileiro pode participar dos debates parlamentares, explica que os cidadãos agora demandam aos governos “ceder um pouco o controle”: “As pessoas querem sentir-se parte do Estado, dialogar”.

Uno de los carteles que se vieron en la Campus Party de Sao Paulo (Foto: markhillary | Flickr)

Um dos cartazes que se viram na Campus Party de São Paulo (Foto: markhillary | Flickr)

Portanto, este laboratório pioneiro se centrará em construir ferramentas que sirvam para melhorar a transparência legislativa (“O Parlamento é muito difícil de compreender”) e levar diversos conhecimentos da cultura ‘hacker’ ao cidadão em general e a seus representantes em particular. “Os parlamentares não sabiam que havia todo um país discutindo sobre política nas redes sociais”, disse Faria. Facebook foi, de fato, um dos catalizadores da indignação social durante os protestos do mês de junho passado em toda a nação.

 

ESPAÇOS ONDE DIALOGAR COM A CIDADANIA: O EXEMPLO DE MINAS GERAIS

Deixamos a capital e nos fomos ao Sudeste. A região de Minas Gerais tem mais méritos que sua excelente gastronomia ou suas cidades coloniais, algumas delas protegidas pela Unesco. O estado onde Ronaldo Nazario criou sua lenda também se destaca por buscar o diálogo entre os cidadãos e seus governantes. Movimento Minas se apresenta como um “laboratório de interação entre governo e sociedade”, segundo nos conta uma de suas responsáveis, Raquel Camargo. Graças a ela, os ‘mineiros’,com nome e assinatura, já puderam, por exemplo, sugerir ao governador ideias para melhorar as políticas culturais de la região.

De Minas Gerais também surgiu uma iniciativa que une a política com uma das paixões brasileiras: o futebol. Política Esporte Clube permite criar sua equipe de futebol com os melhores deputados federais, sabendo quais são os que mais participam nos debates parlamentares, os que participam das votações… Um ‘Comunio’ da representação política.

Seu criador, Mario Mol, que desenvolveu em seu tempo livre uma ideia que ja ganhou um prêmio do Governo brasileiro, nos conta por telefone que “Fazendo-o como um jogo, você consegue atrair o público”. Um público, o brasileiro, o qual “gosta muito das redes sociais, de estar conectado”, nota Mol e confirma um recente estudo que afirma que o brasileiro com conexão à internet passa mais tempo na rede que em frente ao televisor.

 

UM PAÍS DE INICIATIVAS

Algumas das principais cidades do Brasil realizaram jornadas nas quais dispuseram dados aos ‘hackers’ para que eles criem aplicativos destinados ao cidadão. Os resultados tem sido bastante heterogêneos: do banco aberto de dados da Prefeitura de Recife (Nordeste do país) saíram ‘apps’ para calcular o menor trajeto até o ambulatório ou para avaliar a rede de escolas públicas. Um pouco mais ao Oeste, Na cidade amazônica de Belém, um Barco Hacker percorre os municípios do estado do Pará com a missão de encontrar formas de aproveitar melhor os dados abertos.

A bordo del Barco Hacker que recorre los municipios del estado de Pará (Foto: Barco Hacker | Facebook)

A bordo do Barco Hacker que percorre os municípios do estado do Pará (Foto: Barco Hacker | Facebook)

No Rio de Janeiro, o Palácio da Cidade, sede da Prefeitura, acolheu  alguns encontros dos  quais um aplicativo para que os motoristas encontrem espaços para estacionar saiu vencedor. Enquanto isso, no Sul, em Porto Alegre, o HackDay sobre transporte público ofereceu ideias sobre como se poderia reduzir o preço deste serviço. Não é o único que ha contribuído para o Open Government na cidade ‘gaúcha’, que tem outro banco aberto de dados.

Nas eleições municipais de 2012, o portal Voto como Vamos, financiado a través da plataforma de ‘crowdfunding’ brasileira Catarse, permitia que candidatos e eleitores de Porto Alegre ‘se conheçam’, ou seja, que os primeiros publicaram seus programas e que os segundos contribuíram com suas propostas. Por outro lado, o portal PortoAlegre.cc coleta as queixas ou elogios sobre as iniciativas em matéria de infraestrutura que se realizam na cidade.

E a lista continua e continua… Por exemplo, o governo do Ceará, um estado do Nordeste do Brasil, colocou à disposição de todos os seus cidadãos uma API repleta de dados para que desenvolvam um ‘app’ que melhor permita sua visualização.

E na Espanha, amigos, como vamos? Procure, compare e veja se encontre algo melhor…

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