Quinze aplicativos foram desenvolvidos durante a primeira Hackatona do Ônibus de São Paulo; conheça os vencedores

Projetos transformam a avaliação dos passageiros em instrumentos de fiscalização e de orientação para melhorias no transporte público

Durante 30 horas, cerca de 60 hackers — entre pesquisadores, programadores e outros profissionais da informação — reuniram-se no prédio da SPTrans para criar aplicativos e soluções inovadoras usando dados públicos do sistema municipal de transportes. Eles integravam as 15 equipes que foram selecionadas a participar da “Hackatona do Ônibus”, entre 58 projetos inscritos. A competição aconteceu das 8 horas da manhã de sábado, 27 de outubro, às 14 horas do domingo seguinte, fechando as atividades do evento São Paulo Aberta.

Hackatona é o termo usado para designar uma “maratona hacker”, isto é, esforço concentrado de trabalho de desenvolvedores para encontrar soluções criativas a um desafio proposto. Organizada pela SPTrans e pela Controladoria Geral do Município, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o concurso ofereceu 15 mil reais em prêmios às três equipes com os projetos mais bem avaliados.

A avaliação ocorreu no próprio domingo, por uma Comissão Julgadora composta por pessoas de diferentes segmentos (representantes de diferentes secretarias e da sociedade civil, pesquisadores, usuário de ônibus e especialistas em tecnologia). Os critérios avaliados eram  interesse público; monitoramento participativo, criatividade e qualidade técnica — neste último, os jurados observaram se o aplicativo possuía código aberto, isto é, se está disponível em repositório público e pode ser replicado.

Nesta semana, os participantes da Hackatona reapresentarão seus trabalhos ao Secretário Municipal de Transportes, Jilmar Tatto. O objetivo da reunião é verificar como os aplicativos desenvolvidos podem ser incorporados pela Pasta para a melhoria da prestação dos serviços públicos. As apresentações dos trabalhos estão reunidas aqui: http://issuu.com/home/publications.

Cadê o Ônibus?

O primeiro lugar na competição ficou com os integrantes da equipe NanoIT. Composto por um analista de sistemas e três desenvolvedores web, o grupo estreou em competições trazendo novas funcionalidades para um aplicativo que já vinha desenvolvendo há dois anos, o “Cadê o Ônibus?”.

Para o integrante da equipe Luiz Fernando Oliveira, a vitória foi uma grata surpresa. “Nós quase desistimos de participar por achar que não conseguiríamos mandar o projeto a tempo, e já ficamos felizes por termos sido selecionados”, confessa. O desenvolvedor relata que, apesar do desgaste – ele dormiu apenas três horas durante os dois dias de maratona – a atividade foi “uma experiência bacana, com pessoas de vários lugares e várias ideias, que valerá não só para o desafio, mas para outras experiências”. Para ser vencedor, o aplicativo precisou incorporar novas funcionalidades às que já possuía (como consulta de itinerário, monitoramento e pesquisa de linhas). Multiplataformas, o “Cadê o Ônibus?” terá três interfaces com funcionalidades específicas pensadas para passageiros, cobradores e gestores do sistema de transportes. Para os usuários, serão oferecidas informações a respeito do trânsito, como estimativas de tempo e notificações de proximidade de um determinado ônibus; para os cobradores, será possível atualizar informações sobre o trânsito que sua linha enfrenta, a situação de lotação do veículo e notificar ocorrências a policiais e bombeiros, por exemplo. Além destes, há o módulo da SPtrans, com a possibilidade de gerar relatórios que permitirão a avaliação do sistema. Com a vitória, a equipe foi premiada com R$ 8 mil, que deve servir para implantar as alterações e disponibilizar o aplicativo para download.

#TrilhaSP

A equipe PoliGNU, formada por alunos da Escola Politécnica da USP, apresentou o aplicativo “#TrilhaSP” e ficou com a segunda posição, sendo premiada com R$4 mil. Menos de um décimo separava o grupo da primeira posição. Com experiência em hackatonas desde 2012, o grupo desenvolveu um game com um sistema de pontuação que recompensa os passageiros que avaliam suas experiências nos ônibus da cidade. Haydée Svab, integrante da PoliGNU, explica que “a ‘gamificação’ é um atrativo para fidelizar usuárias(os), tanto para que façam frequentes avaliações, quanto para que entendam melhor como funciona o sistema de transportes”.

Os passageiros podem avaliar suas viagens de forma geral e em cinco tópicos distintos: lotação, conforto, higiene, atendimento do cobrador e atendimento do motorista. A medida em que o usuário faz as avaliações, o aplicativo acumula informações que oferecem subsídios para se pensar a necessidade de renovação da frota até política tarifária, na visão de Haydee. “O aplicativo permite pensar em uma política tarifária que considere a forma como as empresas são avaliadas pela população. Se há remuneração por quilômetro rodado e por fretamento, por que não considerar a qualidade do serviço prestado?” sugere a engenheira.

Haydée foi uma das três únicas mulheres que participaram desta competição. A proporção irregular entre homens e mulheres nas áreas de ciências, tecnologia, engenharias e matemática é objeto de estudo do grupo de estudos PoliGNU, do qual fazem parte os integrantes da equipe inscrita na Hackatona. Segundo a competidora, o interesse masculino por essas áreas é uma construção social que se replica nas faculdades, hackatonas e empresas, mas este fato não indica que homens tenham melhor aptidão natural que mulheres para esses temas de estudo.

InsPorte

Coube o terceiro lugar à equipe Bad Request, que desenvolveu o aplicativo “InsPorte”. Com ele, o usuário pode avaliar as condições dos veículos que utiliza em seu trajeto diário e reclamar melhorias pelo seu celular. Giovani Marques, responsável pela inscrição da equipe na competição, se declarou muito satisfeito com a qualidade da competição. “Mesmo os projetos que não foram premiados têm grande potencial para melhorar o transporte público”, reconheceu.

De acordo com Giovani, que é bacharel em Ciências da Computação, o InsPorte ainda pode ser ampliado, por meio da integração do aplicativo ao Bilhete Único. “Se instalarmos transmissores Bluetooth [cerca de U$15 a unidade, equivalente a R$33,00] nos ônibus, seria possível captar com precisão o ponto onde cada passageiro sobe e desce, o que permitiria adaptar as linhas de acordo com a demanda”, projeta. O prêmio da equipe foi de R$3 mil.

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